"Nosso sistema é o melhor do Brasil", afirma interventor do Presídio de Blumenau - Rádio Sentinela do Vale

Gaspar / SC
07 de Dezembro de 2019

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"Nosso sistema é o melhor do Brasil", afirma interventor do Presídio de Blumenau

21/01/2016 14:37

No comando do Presídio Regional de Blumenau desde março do ano passado depois que a Operação Regalia levou à cadeia 13 agentes prisionais, entre eles o então diretor do presídio, Elenilton Fernandes, Marco Antônio Caldeira foi o nome escolhido pelo Departamento de Administração Prisional (Deap) para reorganizar a casa.

Caldeira veio da Unidade Prisional Avançada (UPA) de Itapema e tinha como missão de interventor coordenar uma força-tarefa de execução penal, operacional e administrativa. Com a inauguração da Penitenciária do Médio Vale, ele foi anunciado como diretor do novo espaço. Confira a entrevista em que ele fala sobre as expectativas do novo prédio e os sistema penitenciário de Blumenau

Como você avalia o trabalho feito até agora na cidade e quais são as expectativas para a nova penitenciária?

Queremos excelência sempre. A comunidade necessita disso, quem paga meu salário é ela. A nossa missão está cumprida, trouxemos essa unidade velha de volta para os braços do Estado e demos paz e tranquilidade para a comunidade de Blumenau. Agora na unidade nova é uma outra etapa de negociação. Antes de tudo precisamos estabelecer critérios para o bom funcionamento e para termos o devido suporte por parte do Estado.

A nova penitenciária vai ser inaugurada e estão sendo feitos investimentos no presídio antigo. Por quê?

Tem gente dizendo que é loucura investir nesse presídio porque ele vai fechar, e eu respondo: "Então me prova que vai fechar". Não sei quanto tempo vai levar, não posso ficar contando com isso. A gente tem que se antecipar porque a história vai contra. Se você analisar, em Criciúma nasceu a Penitenciária Sul para que o presídio Santa Augusta fosse implodido. Ia sair uma praça no lugar, um espaço para a comunidade. Mas hoje Santa Augusta está sendo reformulado, o presídio vai permanecer. Itajaí, no Matadouro, é a mesma coisa. Quando nasceu o presídio de Canhanduba foi prevista uma praça no lugar, mas o Matadouro está lá até hoje. Em Blumenau não sei, mas se a comunidade não cobrar de seus representantes o restante da penitenciária vamos ficar com duas unidades aqui. Acho que a comunidade só vai se dar conta disso quando inaugurar a penitenciária e eles verem que isso aqui não vai acabar como se pensa.

O que houve com o scanner que chegaria ao presídio para dispensar a revista vexatória?

O scanner era maravilhoso, não precisava nem tirar a roupa da visita para fazer vistoria. Coisa de aeroporto, não passava nada. Pegou até o parafuso que um preso tinha na perna. Aí os caras fazem uma licitação mal feita. O Estado fez a licitação e ia alugar porque é um equipamento muito caro, que não valia a pena comprar. O aluguel seria de R$ 39 mil por mês em cada aparelho. Depois ficaram sabendo que era possível fazer um aluguel bem mais barato e foi desfeito o contrato, até agora não tem nova licitação. Quem perde com isso? A comunidade, os funcionários que trabalham aqui.

Como encara o sistema penitenciário de Blumenau hoje?

Nosso sistema penitenciário melhorou muito porque o método político se provou ineficiente e o técnico entrou. Mas havíamos chegado ao fundo do poço em Santa Catarina. Posso estar falando muito, mas digo que nosso sistema penitenciário hoje é o melhor do Brasil. E somos um bebê, estamos engatinhando. Se o sistema ainda não evoluiu da maneira que tem que evoluir é por causa da política local. Um dos grandes problemas que temos hoje dentro do sistema penitenciário é que tem muita "polícia frustrada" no nosso meio. Os caras querem ser policiais, colocar uma pistola na cintura e sair prendendo. Mas não é isso. Temos que entender do nosso ambiente, das nossas atribuições, e aí vai melhorando tudo.

Quais foram os desafios e as conquistas nesse tempo como interventor do presídio?

Ser gestor público não é fácil. Princípios e valores você não compra, traz de berço. Minha família é pobre, mas a gente sempre estudou. Essa é uma das maiores riquezas que ninguém pode tirar de você: o estudo. Você levar conhecimento para as pessoas faz com que elas te respeitem. O problema é que muitas vezes pessoas despreparadas chegam aos locais, têm o poder nas mãos e isso dá margem pra tudo aquilo que estamos vivendo hoje no Brasil. Acho que o maior objetivo alcançado no presídio de Blumenau foi a confiança. Restabelecer uma relação de confiança com o Ministério Público, Poder Judiciário, OAB. São as entidades que conseguimos resgatar, isso que é importante.

Fonte: Jornal de Santa Catarina
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