SC tem os piores índices de vacinação infantil em sete anos - Rádio Sentinela do Vale

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11 de Dezembro de 2018

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SC tem os piores índices de vacinação infantil em sete anos

05/07/2018 11:40

Com dois meses, Dominic já aguarda na fila em um posto de saúde de Florianópolis para fazer as primeiras vacinas obrigatórias depois da maternidade. Os pais sabem da importância das cinco doses que o pequeno está prestes a tomar, que vão protegê-lo contra doenças graves, como paralisia infantil, pneumonia e meningite:

— A gente nem chegou a ter dúvidas da vacinação, estamos seguindo todas orientações do pediatra. Cada família segue uma linha, mas é importante se informar — aconselha a mãe de primeira viagem, a fisioterapeuta Simone Fagundes.

Mas não são todas as famílias que seguem o exemplo de Dominic e estão com a caderneta de vacinação em dia. Santa Catarina teve em 2017 a cobertura vacinal mais baixa dos últimos sete anos em crianças até um ano e não atingiu as metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. Uma diferença significativa em relação ao ano anterior, quando o Estado bateu praticamente todas – exceto a de poliomielite, que alcançou 92% da população, com meta de 95%. Em 2017, a taxa dessa imunização, que previne contra a paralisia infantil, caiu ainda mais e chegou a 82%.

O Estado não registra casos há mais de 30 anos e, desde 1994, o país é considerado livre da doença. Mas, nesta semana, o Ministério da Saúde fez um alerta: 312 municípios brasileiros estão com cobertura vacinal muito baixa contra poliomielite em crianças menores de um ano em 2018. Das oito cidades catarinenses que aparecem na lista, Palhoça tem a pior taxa, 28,8%. Florianópolis também está na relação, com 40,9%. A baixa cobertura aliada ao fluxo intenso de pessoas, que podem trazer vírus de países que ainda não erradicaram a doença, são fatores que compõem um cenário preocupante.

Prova disso é que Amazonas e Roraima já registraram cerca de 500 casos de sarampo neste ano. O vírus voltou ao país importado da Venezuela e, diante de um grupo não vacinado, a doença se disseminou nos dois estados.

Casos de sarampo não ocorrem desde 2013 em SC

Em Santa Catarina, o último caso de sarampo registrado foi em 2013, importado de São Paulo.  A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, ficou pela primeira vez abaixo da meta no Estado. Apenas 85% das crianças tomaram a dose no ano passado. Isso significa que uma boa parte das crianças catarinenses está suscetível à doença:

— É uma das doenças infecto-contagiosas mais graves que existem, com risco grande de complicações, como pneumonia, encefalite, infecções graves e risco de óbito — explica o infectologista pediatra Aroldo Prohmann de Carvalho.

Os especialistas apontam que diversos fatores explicam a menor procura por vacina, mas o principal estaria no próprio sucesso das campanhas e, consequentemente, na erradicação das doenças:

— Os pais dessas crianças foram vacinados e não viram essas doenças. Há 30 anos o sarampo é raro, mas antes era uma das principais causas de mortalidade infantil. O relaxamento com as coberturas vacinais é um fator de risco para o retorno dessas doenças, porque o mundo não está livre delas — defende a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Isabella Ballalai.

A gerente de imunização da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC (Dive), Vanessa Vieira da Silva, reforça que outro fator que impactou nesta queda dos índices no Estado foi a mudança no sistema de controle das doses aplicadas, que passou a ser nominal. Assim, ela considera que as taxas atuais estejam mais próximas da realidade.

— Quando a gente não atinge a meta, significa que a gente deixou um grupo de crianças muito grande sem vacinar, ou seja, suscetível. Então a gente pode ter a reintrodução dessas doenças no país e no Estado por conta disso — reforça Vanessa.

Para reverter esse quadro, o caminho passa por informar ainda mais a população e exige esforço das secretarias municipais de Saúde, afirma a presidente da SBIM. Ela acredita que mudar os horários de atendimento nos postos, por exemplo, facilitaria o acesso para os pais que trabalham.

Vacinas são seguras e eficazes, defende ministério

Em nota, o Ministério da Saúde reforça que a vacinação é de extrema importância para evitar doenças e sequelas, como surdez, cegueira, paralisia, problemas neurológicos, dentre outros. A pasta defende ainda que, embora em alguns casos as vacinas possam levar a eventos adversos, os efeitos são bem menores do que os malefícios provocados pelas doenças.

"Com o fluxo de turismo e comércio entre países, pessoas não vacinadas podem contrair as doenças e criar condições para o retorno da transmissão, caso não se mantenha elevadas coberturas vacinais em todas as cidades", diz a nota.

O ministério destaca que as doses que integram o Calendário Nacional de Vacinação são seguras e eficazes. A pasta ainda reforça que todos os pais e responsáveis têm a obrigação de atualizar as cadernetas dos filhos, em especial das crianças com menos de cinco anos.

 Isso não é um problema para a mãe de Vitor Gabriel, Maria de Oliveira. Ela está sempre de olho no documento do pequeno de um ano e diz que fica mais tranquila com todas as vacinas em dia. 

O infectologista pediatra Aroldo Prohmann de Carvalho acrescenta que, além de proteger o filho, a vacinação tem um papel fundamental para a saúde de toda a população, pois restringe a circulação dos vírus:

— A vacinação de uma criança é uma responsabilidade social, como cidadão. A partir do momento que estou vacinando meu filho, não estou só o protegendo, mas toda coletividade.

Foto:

Campanha nacional

Entre 6 e 31 de agosto ocorre a campanha nacional de vacinação contra a poliomielite e o sarampo, com dia D em 18 de agosto. Toda criança entre um e cinco anos deve ser levada à sala de vacina para receber as doses, independentemente de já ter sido vacinada. Além disso, as doses são ofertadas pelo SUS e estão disponíveis o ano inteiro.

Fonte: Diário Catarinense
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